quarta-feira, 16 de março de 2011

apeteceu-me

O teu perfume percorre a rua, atravessa a estrada e, depois de rodopiar à minha volta, entope-me o nariz como se soubesse que não deveria ser mais inalado por completo até chegar à porta do meu coração.
É um odor que já não se identifica contigo, já não tem a ver com a tua personalidade, o teu carácter, esse já o perdeste. É doce e insubstituível, tu amargo e modificado, tanto que jamais qualquer perfume se adequará a ti, ao teu estilo de vida, ao que és agora. O teu cheiro já não é natural, é de plástico, tal como as flores que estão no meu quarto. Cheiras a rua, a fumo, a tudo menos ao que eras. Cheiras àquele tipo de pessoa que já nada quer da vida a não ser o que tem, contentando-se com a imunidade que pensa ter à sua volta como uma bolha de protecção.
És um ser que já não se preocupa com o que os outros pensam, ou talvez nunca se tivera preocupado. Que não pensa em mais ninguém a não ser em si e nos seus interesses que sinceramente, pouco deveriam importar. És uma criatura sem carácter, diferente, sem perfume, inodora.

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