domingo, 22 de janeiro de 2012

momentos, dos tristes


Foi estranho. Ter alguém incessantemente a olhar para mim, para o estado lastimável em que me encontrava. Sentada numa qualquer paragem, de óculos escuros postos para não me verem a chorar. A pensar porque haveria eu de abrir a boca naquela altura, se corria o risco de ser tudo menos levada a sério. Senti, senti que aquele homem, debruçado na janela, sentia o que se passava comigo. Era um olhar meigo, de pena, mas que ao mesmo tempo questionava o meu estado. Via o meu contínuo movimento de limpar as lágrimas sem ser descoberta (ou pelo menos tentando não o ser). Tinha os seus cinquenta e tal anos e ainda assim me acompanhou até à hora da minha partida, da minha entrada no autocarro. Pode parecer (e foi) esquisito, mas parece que durante aqueles 15 minutos de espera serviram para que alguém (este aguém) olhasse por mim, como há muito ninguém faz. Sinceramente nem sei porque derramei tantas lágrimas (ou melhor, sei, mas preferia não saber), já devia estar habituada a tal ritual. Mas fora das quatro paredes que me protegem, era raro isto acontecer. Enfim, dentro do rectângulo andante retirei-me do mundo ao som da minha música, aquela que me acarinha e percebe. As lágrimas foram secando.
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