domingo, 17 de janeiro de 2010

Sentimentos revoltantes

Passei a semana toda com esta vontade enorme de chorar, presa nos meus pensamentos e ideias.

Sinto-me como um palhaço, a rir quando deveria estar a chorar; a brincar quando deveria estar a fugir de todos os que me rodeiam; a fazer feliz quem está comigo, mesmo sem ter forças para sorrir, é assim o meu dia-a-dia, a tentar ser quem não sou.

Sou um palhaço que chora, que sofre, que tem sentimentos, um palhaço simplesmente humano. Humano e solitário, à espera de um simples abraço, ou de um simples ‘eu estou aqui’.

Sou um palhaço de circo, que como todos faz a alegria de todos, mas que quando está só num canto, depara-se somente com as lágrimas frias e salgadas que borram a maquilhagem que se encontra no seu rosto. Somente um solitário palhaço, triste, que procura uma luz, segurança, para poder continuar com a sua missão, continuar a trazer aquela alegria e fantasia a que todos estão habituados ver.

Questionei-me se estava a ficar louca, se estava a ser egoísta. Como é que eu, com tantas coisas boas para contar, posso estar assim, triste? E fico mais triste por não saber o porquê da minha tristeza. Por isso e por tantas outras coisas talvez, não chorei. Guardei isso dentro de mim, para tentar esquecer. Sem pensar no quão cruel estava eu a ser comigo mesma, impedindo-me de fazer algo tão simples como chorar. Acabo sempre por fazê-lo, sem que me aperceba, correm-me as lágrimas pelo rosto até sentir o seu gosto nos meus vermelhos lábios pintados pela tinta, da qual que sobressai um sorriso, sorriso falso, de palhaço.

A vida continua a ser cruel comigo, mesmo sendo em algumas horas, bem doce. Todas as minhas tristezas, angústias, todas as horas de sono que tenho perdido por tantos problemas. É essa mesma vida que agora me corta os pulsos e me faz sangrar lentamente e que mesmo assim, agora, me tira o direito de chorar. Apenas porque a obrigação do palhaço é garantir sempre o espectáculo. Mas ninguém me garante que ele não chora.

Sempre procurei uma razão para tudo, uma explicação e sentido para cada momento, cada sentimento, e isso impede-me de chorar por chorar, amar por amar e viver por viver. Mesmo que agora chorasse, seria sozinha, em silêncio, porque mesmo entre tantas pessoas, tantos amigos, acho que não há ninguém para me entender neste momento. Na verdade, acho que nunca haverá, porque no espectáculo da minha vida, eu ‘palhaço triste’, tenho apenas a obrigação de garantir o espectáculo, mesmo que isso custe sufocar os meus sentimentos e me impeça de chorar.

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